domingo, 8 de fevereiro de 2009

Saudade

Esses dias de saudade dos que partiram são solitários e silenciosos.
As fotografias, impressões impregnadas de emoções, são boas amigas. Amigas caladas. Podemos fitá-las sem medo, sem nos preocupar com o exagero de nossas reações.
Você já se pegou revivendo um momento que já se foi? Já acordou segurando uma mão que não existe mais? Sentindo um cheiro antigo que o vento dispersou?
A morte nos ensina a reinventarmos a vida em nossa mente. A saborearmos as lembranças incansavelmente.
Eu aprendi com a morte que cada dia é uma nova oportunidade para se dizer "eu te amo".
Aprendi que perdoar é libertar-se e libertar.
Aprendi a apreciar as coisas simples, as boas intenções, os olhares acolhedores.
Aprendi a desfrutar as companhias, a valorizar os encontros, a olhar nos olhos nas despedidas.
Aprendi a não desperdiçar os momentos, eles são únicos, e podem ser os últimos.
A morte, que ironia, fez-me mais viva.
Apenas não aprendi, ainda hoje, a lidar com o rastro que insistentemente ela deixa: a saudade.

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