Tudo parecia perfeito. Meu melhor amigo era agora meu grande e novo amor.
Uma intensa amizade antecedeu nossa paixão. A distância de um mar nos separou durante determinada época, e a saudade era amenizada apenas através de cartas. Nessas cartas falávamos de uma vida futura juntos. Moraríamos numa casa, em cima de uma árvore na África, com o chão da cozinha xadrez. Eram pensamentos de jovens comprometidos apenas com a própria liberdade. Esses delírios eram constantes e deliciosos.
Outros momentos foram regados a Legião Urbana, ele no violão e eu na voz, miojo, vinho barato e risadas. Marisa Monte também nos fazia companhia quando nos deleitávamos com Häagen Dasz e sushi comprado no Carrefour.
Até então, éramos apenas amigos. Ao mesmo tempo que tínhamos uma intimidade gigantesca, mantínhamos os limites que tornavam nossa amizade pura e desprovida de intenções sexuais.
Confidenciava a ele todas minhas aventuras amorosas, minhas paixonites, meus flertes. Ele era um bom ouvido. E eu o aconselhava como irmã mais velha sobre seus namoricos.
Após seu retorno, nossa amizade aflorou. Os sentimentos tomaram uma nova proporção. Sempre que podíamos, estávamos juntos. Não desgrudávamos, como duas criancinhas que não querem parar de brincar.
Essa época, eu fazia o último ano da faculdade em São Paulo. Uma noite fria, recebi um telefonema que deixou-me desnorteada: meu melhor amigo disse que estava apaixonado. Senti meu estômago gelar, meu corpo tremer e meu coração palpitar. Faltaram palavras. Aquele campo era minado, e eu não estava a fim de arriscar nem um arranhão em nossa amizade. A verdade é que não lembro-me ao certo o que falei, mas sei que a resposta custou-me um ano de seu silêncio.
Os amigos em comum nos levavam sempre a um encontro inesperado. E dolorido. Fitar aqueles olhos sem perceber nenhum carinho era desolador. Ele me repudiava com seu olhar frio, cheio de mágoa e dor. Em meu coração havia vazio. E o peso da rejeição.
Um desses encontros ocorreu na igreja que costumávamos frequentar. Estávamos sentados a uma certa distância, mas era possível um ver ao outro com uma discreta virada de corpo. E o assunto daquela noite não poderia ser mais apropriado. O orador falava sobre o perdão e a reconciliação.
Nesse momento minha face ferveu. Senti as lágrimas escorrerem desenfreadamente. Meu corpo moveu-se em sua direção. Ele também chorava e caminhava ao meu encontro. Nos abraçamos. Naquele instante pude perceber que não abraçava a um amigo. Abraçava ao homem que amava.
ESSA HISTÓRIA CONTINUA...
Uma intensa amizade antecedeu nossa paixão. A distância de um mar nos separou durante determinada época, e a saudade era amenizada apenas através de cartas. Nessas cartas falávamos de uma vida futura juntos. Moraríamos numa casa, em cima de uma árvore na África, com o chão da cozinha xadrez. Eram pensamentos de jovens comprometidos apenas com a própria liberdade. Esses delírios eram constantes e deliciosos.
Outros momentos foram regados a Legião Urbana, ele no violão e eu na voz, miojo, vinho barato e risadas. Marisa Monte também nos fazia companhia quando nos deleitávamos com Häagen Dasz e sushi comprado no Carrefour.
Até então, éramos apenas amigos. Ao mesmo tempo que tínhamos uma intimidade gigantesca, mantínhamos os limites que tornavam nossa amizade pura e desprovida de intenções sexuais.
Confidenciava a ele todas minhas aventuras amorosas, minhas paixonites, meus flertes. Ele era um bom ouvido. E eu o aconselhava como irmã mais velha sobre seus namoricos.
Após seu retorno, nossa amizade aflorou. Os sentimentos tomaram uma nova proporção. Sempre que podíamos, estávamos juntos. Não desgrudávamos, como duas criancinhas que não querem parar de brincar.
Essa época, eu fazia o último ano da faculdade em São Paulo. Uma noite fria, recebi um telefonema que deixou-me desnorteada: meu melhor amigo disse que estava apaixonado. Senti meu estômago gelar, meu corpo tremer e meu coração palpitar. Faltaram palavras. Aquele campo era minado, e eu não estava a fim de arriscar nem um arranhão em nossa amizade. A verdade é que não lembro-me ao certo o que falei, mas sei que a resposta custou-me um ano de seu silêncio.
Os amigos em comum nos levavam sempre a um encontro inesperado. E dolorido. Fitar aqueles olhos sem perceber nenhum carinho era desolador. Ele me repudiava com seu olhar frio, cheio de mágoa e dor. Em meu coração havia vazio. E o peso da rejeição.
Um desses encontros ocorreu na igreja que costumávamos frequentar. Estávamos sentados a uma certa distância, mas era possível um ver ao outro com uma discreta virada de corpo. E o assunto daquela noite não poderia ser mais apropriado. O orador falava sobre o perdão e a reconciliação.
Nesse momento minha face ferveu. Senti as lágrimas escorrerem desenfreadamente. Meu corpo moveu-se em sua direção. Ele também chorava e caminhava ao meu encontro. Nos abraçamos. Naquele instante pude perceber que não abraçava a um amigo. Abraçava ao homem que amava.
ESSA HISTÓRIA CONTINUA...
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