sábado, 31 de janeiro de 2009

Conexões esquisitas de minha esposa...



Fazer as unhas X Lavar louça

Não posso lavar a louça porque fiz minhas unhas hoje!


Contas do celular X Perguntas sem nexo
Porque no dia 4 esta ligação pra esse número 881476543 custou R$21,89?

Último dia do ano X resoluções de ano novo
Bom, esse ano VOCÊ vai entrar na academia, por aparelho nos seus dentes de baixo e emagrecer 8,780kg.

Férias das crianças X dinheiro faltando
AAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!

TPM X Propaganda de sabão em pó
Nossa, (snif) que lindo... eu, eu, eu, (snif) acho que vou... buááááááááá!!!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Quando mamãe partiu...



Não são apenas flores. Não se iluda.
Compartilhar uma vida significa penetrar em águas profundas e desconhecidas. Há boas surpresas. E, há frustrações também. Mas, no momento em que perdi o ar, e a correnteza tornou-se forte a ponto de me fazer afundar, senti uma mão resgatar-me.
Era mais um outubro a pertubar-me com um calor escaldante. Porém, tornou-se realmente insuportável com o desenrolar dos dias. Não apenas os graus elevados do verão me atormentavam, mas o fato da pessoa mais importante de minha vida vivenciar seus últimos suspiros.
Recebi a notícia dentro do provador de uma loja, e, lembro-me nitidamente de deixar as roupas caírem de minhas mãos e correr aflita sabe lá Deus para onde.
Sentia-me tão desnorteada. Era como se uma imensa fenda no chão me sugasse para um abismo de dor e abandono. Não tolerava a possibilidade de encarar novamente a face gélida da morte. Já havia percorrido prematuramente essa ruela escura e repudiava a idéia de deparar-me com seus assombros.
Várias cenas percorriam minha mente: eu e minha mãe juntas em alguma de nossas viagens, ela aos cuidados comigo nos dias de doença, seus beijos e abraços, seu cheiro de flor-de-laranjeira, recostada ao lado da pia no preparo do café da manhã.
Parecia impossível. Na noite anterior conversávamos zombateiramente sobre a morte. Despedimo-nos alegremente no quarto do hospital cheias de sonhos e planos. A intervenção cirúrgica a que mamãe seria submetida era simples. Não havia medo em seus olhos. Ou minha fé cegava-me?
Dez dias em coma, uma dor insuportável, lágrimas e gemidos. Em nosso último encontro, balbuciei meu amor em seus ouvidos. Cantei sua canção predileta, com esperança de que talvez magicamente, fosse ouvida.
As intermináveis horas entre a notícia da morte, a penúria do velório, e o odor desagradável do enterro, havia uma mão em meu ombro. Nos momentos mais agudos de meu sofrimento, havia um colo.
Nos dias que se seguiram, ou melhor, meses, tudo era escuridão. Tentava me reorganizar internamente. Estava perplexa com o rumo inesperado da vida. Estava entregue às dores que percorriam meu corpo. Havia perguntas, negação, desespero, inquietude, ira e morte em mim. Sim. Sentia-me morta e desestimulada a envolver-me com a vida novamente.
Eu estava fragilizada e despedaçada. Mas não estava só. A verdade era que poucas, bem poucas pessoas estiveram presentes naqueles dias tenebrosos. Conhecidos são muitos, amigos poucos e grandes e verdadeiros amigos, escassos.
Mas ele, que era meu noivo, e hoje é meu marido, acolheu-me em seus braços sem restrições. Esteve presente todas as horas de seu dia que eram possíveis. Abriu a janela, permitiu o Sol entrar. Ouviu meu choro horas a fio, acalmou-me com suas palavras. E, quando já não havia o que ser dito, apenas me abraçou. Terna e intensamente.
Debruçou seus olhos na minha tristeza e tentou alegrar-me. Com pequenos gestos, sorrisos sorrateiros, frases engraçadas.
Não desistiu de mim, mesmo eu já tendo desistido. Não criou desculpas para afastar-se e seguir sua vida. Não deu costas à minha crise. Foi paciente e dedicado. Leal e companheiro.
Assim, nosso amor brotou. Assim fortaleceu-se. Assim aprendemos a lidar com os piores tremores em nossa vida. Numa entrega total, desvencilhada de egoísmo.
O importante é saber que sempre haverá essa mão, esse colo, esse consolo. Até nas águas mais profundas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Primeiro Passo



Por que não?
Por que às vezes não queremos nem tentar?
A vida nos proporciona desafios a todo momento, nós apenas os enxergamos quando eles são difíceis. Antes de mais nada temos que acreditar em nós mesmos. Somos capazes de tudo. Sem romantismos. É verdade. Corrija-me se estiver errado... Penso que o primeiro passo é sempre o mais importante. CO-RA-GEM! Dar a cara pra bater. Isso mesmo. Toda grande jornada na vida começa com o primeiro e pequeno passo. "Um pequeno passo para o homem , mas um grande passo para a humanidade", já disse o astronauta.
Passamos por tantos desafios na vida, mas tantos, que ficamos com medo de iniciar um outro o qual saberemos que será difícil logo de cara.
Por exemplo: Depois do "casamento", o maior dos desafios são os filhos, principalmente se você tem o segundo.
Quem quer realmente criá-los com educação, incutindo valores e gastando o tão chamado "tempo de qualidade" encontra-se muitas vezes um pouquinho estressado. Tudo isso porque nossa vida fica em segundo, terceiro, ou quarto lugar, como no meu caso.
Isso tudo tem seu lado incrivelmente prazeroso e cria vários sentidos para a vida. Mas cansa pacas! No pain, no gain - toda academia tem um adesivo com esses dizeres na parede.
Lembro-me de como era bom chegar em casa e poder morgar um pouco em frente ao computador ou em frente à TV ou ainda olhando a paisagem pela janela da sala... Bons tempos aqueles!
Agora, ao chegar em casa depois do trabalho tenho mais uma jornada pela frente. Brincar de cavalinho, fazer sandubas de "queijo rosa" (presunto), assistir um capítulo de Cocoricó, dar banho, explicar como o bebê chega na barriga da mamãe, como ele sai, fazer um "tetê" (mamadeira) e por fim colocá-los na cama... essa última parte torna-se um exercício de paciência já que educamos nossos filhotes para dormir às 8 da noite para podermos nos curtir um pouco. UFA!
O maior desafio da vida é esse e se chama família!
O resto é um pouco fácil.
A grande faculdade da vida nos dá experiência, roteiros e todo o aparato preciso para escalar as mais altas montanhas.
Cada um tem seu Everest. Ele pode ser inalcançável para alguns e um pulinho para outros. Depende de como você o encara.
Deve ser maravilhoso olhar o mundo de lá de cima.
Temos que dar o primeiro passo, mesmo que tão logo já tenhamos a percepção de que não é nada disso que queremos...

Só então poderemos dizer que ao menos tentamos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Encontros e Desencontros



Nosso amor é suave e às vezes áspero.
Temos uma meta. Nos amarmos intensa e respeitosamente. Mas os dias são diferentes. Uns cheios de cor, outros meio acinzentados. E isso se reflete na forma como nos tratamos.

Há dias mais amenos, tardes de contemplação, chás em meio a devaneios. Há dias quentes, saborosos, com cheiro de fruta fresca. Há dias também de quietude, de uma vontade de ficar só, simplesmente. Esses dias frios que nenhuma pele aquece. Dias esbranquiçados.

Esse é o nosso amor. Pleno. Nunca deixa de ser. Nunca deixou de ser: amizade, companheirismo, cumplicidade, conforto, consolo, encontro, perdão, reconciliação, imperfeição, suspiros. Mas, não queremos falar apenas de amor. A esfera é mais abrangente. O relacionamento e seus acontecimentos é o que nos importa. Os dias bons e maus.